Eu sou a palavra que canto
e o verso de encanto que, por hora, recito
Pareço recanto de sonhos
mas, sou desafeto do que acredito
Eu sou a pintura no canto da sala
a imagem mais clara do que desentendo
Acho que senti suave na cara
o invisível tapa do vento
Eu tenho a malícia, eu tenho a pureza
de quem não suporta o peso do devir
Pareço mistura de um desavesso
A grandeza das coisas que não posso medir
Eu sou a batalha e a paz que conforta
nas horas que o mundo desapercebe o perdão
Acho que fundo, sozinho no peito
Perfeito e covarde bate um coração

. Ithalo Furtado